Falo sobre estas condições não apenas como profissional — mas como alguém que carrega na pele as marcas de quem vive com isso de verdade. Nasci com baixa visão e, devido ao glaucoma, após quatro cirurgias para tentar salvar a visão, me tornei monocular. Tenho TDAH, só fui diagnosticado depois de adulto — e ainda assim concluí três graduações na UFBA, sendo que as duas primeiras sem este diagnóstico.
Desde criança convivi com a obesidade e sempre soube que existia a cirurgia bariátrica e queria fazê-la — não era vaidade, era sobrevivência. No entanto era cara e inacessível. Foi a justiça, ao obrigar os planos de saúde a cobri-la, que abriu essa porta. E ainda um infarto no Réveillon, com colocação de stent de emergência, que me lembrou que não havia mais tempo a perder. Fiz a Sleeve em 2022 e, devido ao refluxo, precisei fazer o By Pass em 2023 — perdendo mais de 45 kg num processo que transformou não só meu corpo, mas minha relação comigo mesmo, com minha saúde, com o mundo e com o que significa enfrentar obstáculos sem se deixar vencer por eles.
As deficiências e restrições que essas circunstâncias trazem para a minha vida nunca foram impedimentos. São obstáculos — e obstáculos se enfrentam com perseverança, estudo e aprendizado de como transpô-los cada vez melhor. Essas vivências me deram algo que nenhuma especialização oferece: a capacidade de estar em lugar de fala junto de quem enfrenta desafios parecidos, sem julgamentos, sem romantizar a dificuldade e sem subestimar o quanto ela pesa. Se você é uma pessoa PcD, tem TDAH, fez bariátrica ou está considerando a cirurgia e precisa de suporte emocional para atravessar esse processo — este é um espaço que entende você de verdade.
Ser uma Pessoa com Deficiência (PcD) vai muito além de qualquer diagnóstico ou limitação física. É uma forma de existir em um mundo que, na maioria das vezes, não foi pensado para você — e que cobra, muitas vezes em silêncio, uma adaptação constante que esgota, invisibiliza e adoece.
O impacto psicológico de viver com uma deficiência raramente é falado com a profundidade que merece. Muito se fala sobre as barreiras físicas e arquitetônicas, mas pouco se discute sobre o peso emocional de precisar provar capacidade o tempo todo, de lidar com olhares, com a subestimação alheia, com a burocracia que dificulta o acesso a direitos básicos — e ainda assim seguir em frente como se nada disso custasse.
Buscar suporte psicológico não é sinal de fraqueza — é o reconhecimento de que existir com uma deficiência em uma sociedade que ainda não sabe acolher a diversidade é, sim, um desafio que merece cuidado especializado, empático e sem julgamentos.
Ser PcD pode impactar a saúde mental de várias formas:
O capacitismo — o preconceito contra pessoas com deficiência — também adoece:
A deficiência visual abrange um espectro amplo de condições — da baixa visão à cegueira total — e pode ser congênita, adquirida progressivamente ou resultado de um evento específico, como uma doença ou acidente. Em qualquer uma dessas formas, o impacto vai muito além do que os olhos enxergam — ou deixam de enxergar.
Viver com baixa visão ou deficiência visual significa, muitas vezes, habitar um mundo construído quase inteiramente para quem enxerga. Placas sem braile, ambientes sem sinalização tátil, tecnologias inacessíveis, e uma sociedade que frequentemente confunde deficiência visual com incapacidade intelectual — tudo isso cria uma carga silenciosa e cotidiana que afeta profundamente o bem-estar emocional.
O suporte psicológico especializado oferece um espaço para atravessar esse processo com mais recursos emocionais — sem pressa, sem minimização da dor e com respeito à singularidade de cada história.
O impacto emocional da deficiência visual pode incluir:
Quando a perda de visão é adquirida ao longo da vida, surgem desafios adicionais:
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição neurológica real, reconhecida pela ciência e muito mais complexa do que a ideia popular de "criança agitada que não para quieta". O TDAH afeta adultos, mulheres, pessoas diagnosticadas tardiamente — que sofreram com seus efeitos desde a infância, carregando um peso emocional enorme que vai muito além da dificuldade de se concentrar.
Viver com TDAH sem diagnóstico — ou com um diagnóstico tardio — significa, na maioria das vezes, anos sendo chamado de preguiçoso, desorganizado, irresponsável ou incapaz. Significa ter se esforçado o dobro, o triplo, para alcançar o que parecia tão fácil para os outros — e ainda assim ouvir que "poderia ir mais longe se se dedicasse". Esse acúmulo de cobranças e incompreensões deixa marcas profundas na autoestima e na saúde mental.
Receber o diagnóstico de TDAH na vida adulta pode ser simultaneamente libertador e doloroso — libertador porque finalmente explica uma vida inteira de dificuldades, e doloroso porque levanta a questão de quanto poderia ter sido diferente. O suporte psicológico especializado ajuda a processar essa história, a desenvolver estratégias reais para o dia a dia e a reconstruir a relação com a própria capacidade.
O que o TDAH pode parecer na vida real:
O impacto emocional do TDAH não diagnosticado ou mal compreendido:
A cirurgia bariátrica é muito mais do que um procedimento que reduz o estômago. É uma decisão irreversível que transforma a relação com o corpo, com a comida, com a autoimagem e com o mundo — e que carrega consigo uma jornada emocional intensa que começa muito antes da operação e continua por toda a vida.
A decisão de operar raramente é simples. Ela vem, na maioria das vezes, depois de anos de tentativas frustradas, de um relacionamento doloroso com o próprio corpo e com a comida, de julgamentos externos e internos — e, muitas vezes, de um sinal do próprio organismo de que não há mais tempo a perder. Tomar essa decisão exige coragem. Vivê-la exige suporte.
A cirurgia bariátrica é uma ferramenta poderosa — mas ela só funciona realmente quando acompanhada de um cuidado emocional que respeite a complexidade de tudo que essa escolha carrega.
O que pouca gente fala sobre o processo bariátrico:
Sinais de que o suporte psicológico pode fazer diferença:
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é uma abordagem terapêutica baseada em evidências científicas que se aplica de forma muito eficaz ao cuidado de pessoas PcD, com TDAH e em processo bariátrico — justamente porque ela não tenta eliminar o sofrimento pela força, mas trabalha a relação da pessoa com suas experiências internas, seus pensamentos e seus valores mais profundos.
Viver com uma deficiência, com TDAH ou atravessar uma transformação corporal e emocional tão significativa quanto a bariátrica significa conviver, muitas vezes, com pensamentos dolorosos, emoções difíceis e situações que escapam ao controle. A ACT não promete eliminar esse sofrimento — mas oferece ferramentas reais para que ele não paralise a sua vida.
A ACT não apaga o que você viveu. Ela te ajuda a integrar essas experiências e a continuar construindo uma vida que faça sentido para você — com presença, com dignidade e com a liberdade de ser quem você é — exatamente como você é.
Com a ACT, você vai aprender a:
Seja você uma pessoa PcD, com TDAH, bariátrico ou em qualquer etapa desse processo — o suporte psicológico especializado pode fazer toda a diferença. Entre em contato e vamos conversar, sem julgamentos e no seu tempo. Atendo online para todo o Brasil e para brasileiros em qualquer parte do mundo.